Para o dono dos olhos verdes #4

Ver-te
É como deslizar no vento,
Sussurrar melodias de chuva,
Encharcar cabelos, desfazer-me
Entre dedos de ilusão, os teus...
Cair em vazios de cor e de perfume,
Aroma doce e venenoso.
É como anoitecer à sombra de ti
Caminhar entre rochas de espuma
Beber gotas de orvalho dos teus olhos
E cair em névoas vãs, gritos quebrados
É assim, lavar-me em lama e pedras
Embriagar-me de ti!
E como as ondas rudes esverdeadas,
A lamber as praias e encontrar-me assim perdida
Entre as dunas cansadas de marés, de Sol cortante,
Ardendo em febre, sedentas de Luar
E de banhos eternos de estrelas cintilantes...
E eu aqui caída, fundida no vazio
Deixando que a brisa embarace os meus cabelos
A minha boca tem sabor a sal, os olhos a chuva
E vejo o brilho que me cega, que me gela as carnes
Que me sorve as forças... o teu brilho bruto!
Esquece-me nesta praia de areias infinitas
Debruça-te para lá do horizonte
Cheira os mares esquecidos nos espaços
Embriaga-te de mim!
(imagem: Beach by Lindsey Rae in deviantART.com)


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