Sunday, March 26, 2006

Desilusão

Pensei que eras tu, sabes?
A ilusão das mentiras calava-me, torturava-me,
E nem sei porque razão eu te esperava.
Olhava e olho ainda esse caminho
Longo, rude, indefinido...
Sem fim para este meu ser desconcertado.
Conheces-me? Não?... Julguei que sim! Louca que fui!
Gravei na chama quente o teu sorriso,
Escrevi no vento leve o teu perfume,
Queimei-me no teu gelo, no teu lume,
Perdi-me e estou perdida no teu ser indecifrado,
Dormente, fraco, ténue, enjoado
Que aos poucos de dilui sob os teus pés que erram pela lama que te engole.
Não será a minha mão que tu verás!
Sufoca! Chora! Grita! Morre enfim...
E cala para sempre a tua voz, os teus gemidos surdos...
Que por alguém chamam, não por mim...

(Março 1999)

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